Se você nunca fez um chatbot, é importante avisar: é mais complexo do que eu imaginava.
Por outro lado, colocar a mão na massa me fez aprender muitas habilidades que seriam impossíveis absorver sem o método de tentativa e erro.
O PRIMEIRO CHATBOT A GENTE NUNCA ESQUECE
No momento em que escrevo este post, sou um dos milhões de brasileiros desempregados. Além disso, estou em busca da minha primeira oportunidade como UX Writer.
Com isso, me veio a ideia: por que não fazer um chatbot para uma entrevista de emprego?
Dessa forma, os entrevistadores e entrevistadoras, além de conferirem meus conhecimentos sobre chatbot e a minha escrita, aproveitam para conhecer melhor o meu perfil.
A PLATAFORMA
Inspirado no chatbot da Marieli Manenti, decidi usar o Watson, a plataforma de inteligência artificial da IBM.
É gratuita e, entre todas as opções que procurei, a mais simples de executar esse projeto, ainda mais trabalhando sozinho.
Agora, vamos ao que interessa.
Abaixo, destaco as 10 habilidades mais importantes que aprendi ao criar meu primeiro chatbot.
1 – É FUNDAMENTAL SABER QUEM SÃO OS MEUS USUÁRIOS
Esse chatbot é voltado para profissionais de RH e gestores e gestoras da área de UX. Sem dúvida, essas pessoas não têm tempo a perder. Afinal, eu não sou o único candidato à vaga. Por isso, começo a conversa indo direto ao ponto.

Também pensando nos usuários e usuárias, é importante destacar o item a seguir.
2 – LINGUAGEM NEUTRA DE GÊNERO.
É inevitável, ao fazer um chatbot, pensar nos usuários e usuárias. Idade, classe social e, claro, o gênero. Ao terminar o meu projeto, percebi que o texto tratava as pessoas como se todas fossem mulheres.
Para resolver isso, achei uma solução simples.
Durante toda a entrevista, tratei os recrutadores e recrutadoras como você : )
Muito mais simpático.
3 – CHATBOT É PARA OFERECER SOLUÇÕES, NÃO CONTAR UMA HISTÓRIA.
O Bruno Rodrigues, em uma live no Instagram, comentou sobre a função de um chatbot. Segundo ele, a ferramenta existe para oferecer uma solução aos usuários e usuárias.
Diferente do que muitas pessoas pensam, um chatbot não é uma sala de bate-papo, em que uma inteligência artificial vai responder sobre todos os assuntos.
No caso do meu chatbot, o objetivo é claro: conduzir uma entrevista de emprego. Por isso, é mais importante se preocupar com a arquitetura da informação e a usabilidade do que com uma possível história.
Afinal, as pessoas interessadas no meu perfil dificilmente perguntarão sobre o meu time de futebol ou o que fiz no verão passado.
4 – É PRECISO SOAR DE FORMA NATURAL.
A última coisa que desejo numa entrevista de emprego é soar como um robô. Mesmo em um chatbot, fiz questão que recrutadores e recrutadoras, ao lerem o meu texto, tivessem a sensação de ouvir a minha voz.

Por mais que uma entrevista de emprego seja algo sério e importante, ela não necessariamente precisa ter um tom formal.
O mesmo vale para chatbots.
5 – SER SIMPLES E DIRETO
Como descrevi acima, recrutadores e recrutadoras não têm muito tempo disponível. Por isso, neste chatbot, é possível saber em minutos um pouco da minha carreira, meus pontos fortes e fracos, e como entrar em contato comigo.
Lembre-se: chatbot não é lugar de bate-papo aleatório.
6 – OFERECER DIFERENTES RESPOSTAS PARA POSSÍVEIS ERROS.
Nem sempre as pessoas que usam um chatbot vão digitar de maneira correta ou enviar a resposta esperada.
Por isso, criei diferentes opções para quando isso acontecer. Assim, além do meu chatbot não ficar repetitivo, ainda ganhou um toque mais humano.
7 – SE TEM ERRO, É PRECISO MOSTRAR UMA SAÍDA AOS USUÁRIOS E USUÁRIAS.
Mais importante do que oferecer diferentes respostas para os erros, é apresentar opções para as pessoas executarem a ação. Nesse caso, achei melhor incluir um pequeno menu abaixo das mensagens.

Em todas elas, já deixei claro o que os usuários e usuárias devem fazer, e a informação que será apresentada em seguida.
8 – REESCREVA.
Apesar de esse ser o meu primeiro chatbot, ele já está na segunda versão. Além disso, escrevi os textos de todas as telas inúmeras vezes.
No mundo real, o certo é anotar qualquer alteração. Assim, todo o time de design terá a noção exata das modificações e das melhorias apresentadas para o chatbot.
9 – REVISÃO E TESTES
Antes de colocar o chatbot no ar, é necessário fazer uma revisão completa do conteúdo. Com isso, é possível evitar:
– Erros gramaticais;
– Interpretação dúbia;
– Erros de digitação.
O meu chatbot não realizou nenhum teste, como o Cloze ou o Highlight Test. Mesmo assim, compartilhei a ideia com poucos amigos, que me ofereceram ótimas sugestões.
10 – O FIM É TÃO IMPORTANTE QUANTO O COMEÇO
Tempos atrás, a Camila Martins escreveu um texto sobre as 5 leis da psicologia aplicadas à escrita UX. Nele, a Camila escreveu sobre a Regra do Pico-Fim, que ela definiu assim:
As pessoas julgam uma experiência baseadas em como se sentiram no momento mais intenso e no final dela, em vez de basear-se na soma total ou na média de cada momento do processo.
Desta forma, tentei finalizar a entrevista por meio do chatbot da maneira mais simpática possível.

Além disso, abri o diálogo em outros canais, como o LinkedIN, e me coloquei à disposição para uma entrevista presencial.
CONCLUSÃO
Todo mundo deveria ter um chatbot para chamar de seu. A teoria é muito importante, mas somente com a prática podemos desenvolver as nossas habilidades.
Hoje, com certeza, estou muito mais preparado para um projeto desse tipo do que antes.
Para quem deseja conferir e testar o meu chatbot, o link está abaixo.
Lembrando: o seu feedback será muito importante para mim 🙂
Referências: